Superar ausências
E vou atirando pedras à água
Se fosse porventura boa pessoa não sofria
De solidão neste apartamento mobilado
Construído por máquinas e mão de obra
De pobres mãos profissionais
E lá está, se fosse boa pessoa não sentia
E jamais afastaria ao chamar
A escrever a solidão dos aparentemente
A cova funda das fronteiras
Das linhas ambíguas do mar
E eu - nunca consigo fugir - e à noite
Sonho comigo e nunca tenho para onde ir
Vou atirando pedras à água e bebo vinho
Será da idade da pobreza do amor
Às vezes penso
Quem quer comer um velhinho